Continuar postando no Instagram da sua empresa depois de 30 de outubro vai valer como assinatura de um contrato novo. Você não vai clicar em nada. O uso continuado conta como aceite.
Nesta semana, o texto desse contrato mudou de sentido na frente de todo mundo, e quem não lê não percebeu nem a mudança nem o recuo. Eu mostro o que entrou, o que saiu, o que continua valendo e a revisão de 30 minutos que eu recomendo antes do dia 30.
O fato da semana
O contrato novo da Meta para quem vende
30/10
é o dia em que os novos Termos Comerciais passam a valer para toda empresa que usa Facebook, Instagram, WhatsApp ou Messenger.
Fonte: Termos Comerciais da Meta, versão de 30/10/2026, conferida em 20/10/2026.
A nova versão dos Termos Comerciais da Meta autoriza robôs a acessar, indexar e coletar o site ligado aos seus produtos ou serviços, inclusive com credenciais de teste, e a puxar atualizações de tempos em tempos. Não existe botão de recusa: quem não concorda deve parar de usar a Meta para fins comerciais.
Em 15 de outubro, a Nieman Lab mostrou que a finalidade incluía a palavra "treinar", e três especialistas em direito leram ali uma autorização para alimentar IA. A Meta chamou a leitura de falsa. Na versão que eu abri hoje, "treinar" saiu. A finalidade agora é desenvolver, melhorar, pesquisar e manter produtos de publicidade e negócios.
O que isso revela
O recuo foi na palavra. A permissão ficou.
Muita gente vai ler que a Meta voltou atrás e encerrar o assunto. A Meta tirou a menção a treinar. Não tirou o robô, a credencial de teste nem o aceite automático.
E "desenvolver e melhorar produtos de publicidade" é finalidade larga. Cabe nela usar o seu preço, a sua descrição de produto e o seu texto de venda para montar anúncio e responder cliente dentro do Instagram, sem ele passar pelo seu site.
Isso não é necessariamente ruim. Quem vende quer ser encontrado. O ponto é que a decisão sobre quem entra no seu site deveria ser sua, tomada de olhos abertos, e não consequência de continuar logado.
A própria documentação da Meta separa um robô para treinar IA, o Meta-ExternalAgent, de outro para anúncio e negócios, o Meta-ExternalAds. Os dois podem ser bloqueados um a um no arquivo robots.txt. Os termos novos não citam esse arquivo, e os advogados ouvidos pela Nieman Lab dizem que não está claro se o contrato passa por cima dele.
O método
A revisão do site em 4 passos
Dá para fazer em 30 minutos. Se quem cuida do seu site é de fora, encaminhe este e-mail.
Abra o seu robots.txt
Digite o endereço do seu site seguido de /robots.txt. Se der erro, você não tem regra e todo robô entra. Se aparecer um texto, veja quais robôs estão citados pelo nome.
Decida robô por robô
Quer aparecer em resposta de IA e em anúncio da Meta, libere. Não quer que o seu conteúdo treine modelo, bloqueie o Meta-ExternalAgent e mantenha o Meta-ExternalAds. O que importa é escrever a decisão, e não herdar a regra geral.
Feche o que não é vitrine
Área do cliente, tabela de preço para revendedor, material de aluno e página de proposta não deveriam ficar abertos para robô nenhum. Coloque senha de verdade, porque o contrato fala em credencial de teste para entrar.
Tenha uma lista que é sua
Seguidor é da plataforma. E-mail e telefone com autorização do cliente são seus. Se o contrato mudar de novo, quem tem lista própria continua falando com o cliente.
Numa empresa como a sua
A loja que vendia mais pelo Instagram do que pelo site
Pense numa loja de roupa com 40 mil seguidores. Quase toda venda sai do direct e do WhatsApp. A tabela de atacado fica numa página do site sem senha, com o endereço enviado só para revendedor.
Com o contrato novo, essa página entra no alcance dos robôs da Meta como qualquer outra. A tabela que só ia para quem tinha CNPJ pode virar informação de produto na plataforma.
Com os 4 passos, a dona leva meia hora: libera a vitrine, põe senha no atacado e começa a guardar o telefone de quem compra pelo direct. A conta continua a mesma. O risco muda de tamanho.
Teste rápido
Sinais de que a sua empresa depende demais da plataforma
- Você nunca abriu o robots.txt do seu site, ou nem sabe se ele existe.
- Alguma página com preço interno ou dado de cliente fica aberta, só sem link.
- Se o Instagram travasse amanhã, você não teria como avisar seus clientes.
- Ninguém na empresa leu um termo de plataforma no último ano.
- Quem cuida do site é de fora e nunca recebeu uma regra sua sobre robô.
Se você marcou 2 ou mais, o risco não é a Meta. É você não ter decidido nada.
Radar rápido
4 movimentos da semana em marketing e IA
A Meta perguntou a quase 4 mil donos de pequenos negócios sobre IA
Na Ásia, 84% já usam IA e 71% dizem que ela ajudou a vender mais. Mesmo assim, 86% pedem mais orientação. A resposta é autodeclarada, em pesquisa de quem vende a ferramenta. Meta
A Kroger vai cortar 3 mil cargos administrativos em três anos
O presidente da rede americana disse no memorando que o objetivo é reduzir trabalho duplicado à medida que a IA assume tarefas. Primeiro a empresa mapeou o que se repetia. AP, via OPB
82% acham que controlam o agente de IA. 26% sabem resolver briga entre dois
A pesquisa da OutSystems com 858 executivos mostra confiança alta e preparo baixo para quando duas automações discordam. O estudo é de quem vende plataforma de agente. IT Brief
A Anthropic mostrou o faturamento a investidores
Segundo a Reuters, a dona do Claude faturou 16,8 bilhões de dólares no terceiro trimestre, 45% a mais que no anterior. O número veio de um investidor presente, não de balanço publicado. Reuters, via BusinessDay
Antes de fechar
A Meta pode mudar o texto de novo antes do dia 30. Quem já decidiu o que abre e o que fecha no próprio site não precisa reler a notícia a cada versão.
Contrato de plataforma muda quando a plataforma quer. O que é seu fica no seu site e na sua lista, e quem decide quem entra é você, por escrito.